segunda-feira, 5 de abril de 2010

Minha vida: Contando um pouco em pequenas palavras


No início achava que as coisas eram como eu queria que fosse. Era jovem e não estava nem aí. Pra mim estava tudo ótimo.
Fiz quase tudo o quanto se possa imaginar. Só não matei nem roubei. Se tratando de drogas, duvido que alguém possa ter tido mais chances de se envolver do que eu, mas sempre disse NÃO!
Sempre trabalhei honestamente. Por todos os lugares em que passei nunca fiz inimigos. Porém não sei dizer se fiz amigos de verdade.
Por que quando se está numa boa a gente vive rodeado de gente, mas na pior ninguém por perto.
Até os 38 anos minha vida era essa. Quando decidi mudar, achando que não podia continuar como estava, lutei, trabalhei e construí uma casa para morar, agora teria meu próprio endereço.
Foi aí que descobri as verdadeiras surpresas que a vida pode nos reservar.
Conheci a Débora*, que realmente parecia ter as mesmas idéias que eu sobre melhorar de vida. Infelizmente me enganei. Enquanto a levava para jantar em bons restaurantes, churrascarias e festas caras era tudo lindo. Não mais.
Provavelmente já estava com essa doença sem saber. Minha voz começava a "enrolar" mas ninguém sabia me dizer o que estava acontecendo. Fui encaminhado para uma bateria de exames no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. Fiquei cerca de 15 dias internado.
Todos os dias Débora me acompanhava. Nas suas visitas sempre me deu muita força. Dizia pra eu não me preocupar, pois independentemente do resultado de tudo aquilo, ela estaria sempre ao meu lado.
Acreditei.
Colocaram uma sonda no meu nariz para alimentação. Depois disso fiquei muito preocupado. Até então nenhum diagnóstico. No entanto já esperava por algo ruim.
Voltei para casa com a sonda e pouco a pouco senti muitas coisas mudarem.
Em festas já não era mais convidado. (continua)

*Nome trocado para preservar a verdadeira identidade

4 comentários:

  1. Muito bacana poder transcrever tantos desabafos, tanta história, tantas lições de vida. Uma nova vida em todos os sentidos. Muito Obrigada por me presentear com essa oportunidade!

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  2. oi derne,demorou mais consegui acessar seu blog achei o maximo com certeza uma liçao de vida para todos nos.gosto de te perturbar mas sabe que gosto muito de vc realmente vc é o guerreiro que sempre nos mostrou nao gosto de chegar na enfermaria e ver vc triste mais sim quero ver vc sempre sorrindo.lembra quando busquei vc no hc,me simpatizei no mesmo momento com a sua pessoa e sua liçao de vida,vou continuar te acompanhando no blog e continuar te enchendo todos os dias um grande abraço dentro do seu coraçao e continue sendo essa pessoa maravolhosa que vc é bjs

    josiane

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  3. Ola!
    Eu sou a irmã gemia da Karin (enfermeira) fomos te visitar na sexta-feira e eu li esta página de seu livro de capa preta...
    Bom, eu disse que iria ver seu blog e cá estou!
    Mas não pense que é por obrigação, ou por pena, não, você é digno de atenção, digno de se querer ter por perto. Seu sorriso, como eu já havia dito, é lindo e contagiante. Pessoas que não estão no mesmo lugar que você, não se dão a esse direito, mas você, por mais que essa doença tenha dificultado a sua vida, você não mostra isso em seu sorriso. Só quem teve a oportunidade e CORAGEM de vê-lo, é que sabe do que estou falando.

    “As respostas para as suas perguntas não estão longe, você está prestes a entender o sentido da existência.”

    Você é digno de existir!

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