Fui um menino sem pai e sem mãe. Vivi quase sem ninguém. Depois de brigas houve a separação. Mamãe foi embora num caixão. Disso eu me lembro muito bem.
Com apenas 9 anos começou meu sofrimento. A escola onde eu estudava ficava a 8 km de distância de casa. Tinha que atravessar pastagens com cavalos e bois. Meu pai tinha uma bicicleta, mas mesmo assim, me fazia ir à pé. Eu tinha hora marcada para estar em casa. Se atrasasse a surra era certa.
Após 7 meses da morte de minha mãe, meu pai casou-se novamente. Tudo piorou depois disso, pois qualquer motivo era desculpa para me bater. Aguentei por mais dois anos e fugi de casa com apenas 11 anos.
Cheguei a uma fazenda de café a 30 km dali e pedi para trabalhar e por ali ficar. O dono me perguntou se eu queria trabalhar ou me esconder. Ele já sabia o motivo de eu estar ali. Disse que sabia como o meu pai era e que eu poderia ficar, que ali ninguém iria me bater e que eu também teria meu salário.



